Análise critica do uso de protocolos na intervenção ABA ao TEA

OBJETIVO(S) DO CURSO

Analisar a aplicação de protocolos na intervenção com pessoas autistas, fundamentando-se nos componentes da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), no Behaviorismo Radical, na Terapia Centrada na Pessoa e Informada pelo Trauma, nas evidências científicas atuais e nas considerações éticas para a tomada de decisão profissional e para a pessoa atendida.

 

EMENTA E CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Este curso propõe uma análise crítica da excessiva protocolização na intervenção analítico-comportamental para pessoas autistas, discutindo os benefícios e, sobretudo, as limitações dos protocolos estritamente estruturados sem considerar uma prática neuroafirmativa e centrada na pessoa:

  1. Foco na Avaliação Contínua e Contextual:
  • Priorizar a observação e a avaliação aprofundada dos diversos contextos de vida da pessoa.
  • Identificar habilidades essenciais e relevantes, alinhadas aos contextos observados.
  • Programar a manutenção e a generalização efetiva das habilidades aprendidas.
  1. Tomada de Decisão e Flexibilidade Clínica:
  • Destacar o papel do analista do comportamento como parceiro da pessoa atendida, familiares e demais profissionais na tomada de decisão que prioriza as escolhas da pessoa atendida e a perícia clínica acima da mera aplicação de protocolos.
  • Enfatizar a avaliação, a alteração e o exame contínuo da programação de ensino, baseando-se na singularidade da pessoa atendida, e não apenas nas diretrizes rígidas de um protocolo de avaliação e/ou ensino.
  1. Validade Social, Autonomia e Assentimento:
  • Priorizar a escuta e a fala de pessoas autistas para orientar a tomada de decisão clínica.
  • Priorizar a validade social e uma abordagem centrada na pessoa.
  • Garantir o assentimento da pessoa atendida durante todo o processo terapêutico.
  • Focar na promoção da autonomia e na melhoria da qualidade de vida.
  • Integrar ativamente a proposta de terapia neuroafirmativa.

 

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

1) Protocolização na intervenção ABA: fundamentos e definições

  • Conceito de protocolização e organização sequencial de habilidades.
  • Funções dos protocolos
  • Pergunta norteadora: o protocolo guia o aprendiz ou o aprendiz guia o protocolo?
  • Benefícios descritos na literatura.

2) Limitações e críticas contemporâneas

  • Risco ao aprendiz
  • Redução da motivação, interesses e contexto individual.
  • Protocolos versus planejamento individualizado e análise funcional.
  • Discussão ética e crítica ao modelo patologizante sobre “treinar normalidade” x promover autonomia e qualidade de vida.

3) Avaliação clínica ampliada e habilidades essenciais/significativas

  • Seleção de habilidades essenciais e significativas: comunicação, saúde e segurança.
  • Assentimento e participação da pessoa autista na definição de objetivos.
  • Avaliação de saúde mental.
  • Instrumentos de avaliação e análise funcional comportamental.

4) Contexto familiar e validade social

  • Perfil familiar e manejo da ansiedade/estresse parental.
  • Comunicação colaborativa com cuidadores e riscos das relações de poder na interação do analista do comportamento.
  • Validade social e avaliação pela pessoa atendida.
  • Construção conjunta de metas terapêuticas.

5) Generalização, cusps comportamentais e planejamento de intervenção

  • Generalização de habilidades e ampliação do acesso a reforçadores naturais.
  • Seleção de alvos baseada em cusps
  • Controle de estímulos, variabilidade comportamental e respostas espontâneas.
  • Integração interdisciplinar e adaptação contextualizada do protocolo.

6) Ética, abordagem centrada na pessoa e tomada de decisão clínica

  • Escuta ativa em situações de discordância com famílias e clientes.
  • Assentimento, voz da pessoa autista e abordagem centrada na pessoa.
  • Inclusão de habilidades de lazer e qualidade de vida.
  • Estratégias para avaliação contínua da eficácia das intervenções.

7) Atividades práticas

  • Análise de vídeos
  • Análise de casos

 

BIBLIOGRAFIA

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CORPO DOCENTE

Coordenação geral:

Anna Queiroz (CRP 06/93698)

Professoras:

Anna Queiroz (CRP 06/93698)

Psicóloga (UEL), doutora e mestre em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento pela PUC-SP. Especialista em Análise do Comportamento e Terapia Analítico-Comportamental (UNIPAR). Atua na formação de profissionais, desenvolvimento de cursos, comportamento verbal, ABA e educação baseada em evidências. Coordena os Cursos Breves no Instituto PAR.

Renata de Jesus Pereira (CRP 06/146148)

Psicóloga (UNIP), Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, Especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao TEA pelo Instituto Par, Pós-graduanda pelo HCFMUSP em reabilitação neuropsicologia e supervisora clínica. Com mais de 10 anos de experiência na área de TEA e ABA. Iniciou como terapeuta em intervenções comportamentais com TEA no ano de 2014 a qual permaneceu por mais de 6 anos na função. Iniciou na área de supervisão de equipes terapêuticas e atualmente é supervisora do curso de especialização em Análise do comportamento aplicada ao TEA no Instituto Par, além disso supervisiona terapeutas em casos clínicos, particulares e presta consultoria para supervisores clínicos. Co-autora de um capítulo de livro sobre regulação emocional no TEA. Participante ativa de congressos e cursos relacionados a área de TEA e ABA. Possui como principal linha de pesquisa a área de regulação emocional no TEA.

Notas Importantes

(*) A realização do curso está sujeita ao número mínimo de inscrições.