Exaustos, correndo e dopados: o sofrimento neoliberal na clínica analítico-comportamental

OBJETIVO(S) DO CURSO

Apresentar uma leitura analítico-comportamental de um modo de sofrimento de classe produzido pelas contingências sociais do capitalismo neoliberal, com ênfase na identificação e enfrentamento desse sofrimento na prática clínica.

Ao final do curso, pretende-se que as(os) participantes sejam capazes de:

  • Fundamentar, filosoficamente, a necessidade de consideração das contingências estruturais mais amplas para a atuação clínica;
  • Descrever contingências estruturais do capitalismo neoliberal;
  • Identificar o caráter de classe do sofrimento individual produzido pelo capitalismo neoliberal;
  • Utilizar raciocínio crítico e ferramentas clínicas concretas para o enfrentamento desse tipo de sofrimento.

 

EMENTA E CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

O Comportamentalismo Radical, ao sustentar o antimentalismo e o relacionismo como pilares filosóficos, orienta uma escuta clínica que situa o comportamento nas contingências sociais mais amplas de produção e reprodução da vida. No contexto do capitalismo neoliberal, marcado pela intensificação do trabalho e pela produção de um modelo de subjetividade e afeto, constrói-se uma forma predominante de sofrimento de classe, expressa em quadros de exaustão, ansiedade e letargia social.

Módulo 1 – Fundamentação filosófica (30 min)
Bases do Comportamentalismo Radical orientadoras da escuta clínica: antimentalismo, relacionismo, multideterminação e articulação entre indivíduo e sociedade.

Módulo 2 – Sofrimento neoliberal: identificação e descrição (1h40)
Caracterização do capitalismo neoliberal e suas implicações na produção de sofrimento.

Módulo 3 – Intervenções clínicas, possibilidades e limites (1h40)
Estratégias de intervenção na clínica analítico-comportamental voltadas ao enfrentamento desse sofrimento e fortalecimento de contracontrole.

 

BIBLIOGRAFIA

Brum, E. (2016). Exaustos-e-correndo-e-dopados.
Fisher, M. (2020). Realismo capitalista.
Han, B. C. (2015). Sociedade do cansaço.
Skinner, B. F. (1976). About behaviorism.
Skinner, B. F. (2002). Beyond freedom and dignity.
Skinner, B. F. (2014). Science and human behavior.
Tourinho, E. Z. (2009). Subjetividade e Relações Comportamentais.

 

CORPO DOCENTE

Coordenação geral

Anna Queiroz (CRP 06/93698)

Professoras da disciplina

Samanta Florenci Tibério (CRP 06/178282)

Mestre em Psicologia Experimental pela USP. Graduada em Psicologia pela PUC-SP. Foi bolsista CNPq (2018, 2019) e FAPESP (2021). Atua com terapias comportamentais contextuais e políticas públicas da Assistência Social. Pesquisa trabalho, sofrimento de classe e interface entre Comportamentalismo Radical e Marxismo.

Notas Importantes

A realização do curso está condicionada ao número mínimo de inscrições.